Seria esse eterno retorno aquilo que essencialmente nos marca, nos move? Prefiro não pensar em essências. Mas, enquanto escrevo esse texto, duas músicas passaram pela minha playlist: De Janeiro a Janeiro, na voz de Nando Reis e Roberta Campos, e A Thousand Years, cantada por Christina Perri. Coincidentemente (existem mesmo coincidências?), duas músicas que têm o tempo como seu pretexto. Seria possível que o amor, outro grande pretexto de ambas as músicas, durasse "de janeiro a janeiro, até o mundo acabar"? Seria possível amar "por mil anos e por mais mil"?
Talvez a solidão do meu quarto, nas proximidades da meia-noite de ano novo, esteja mexendo comigo. Provavelmente está. E as músicas me afetam de um jeito particular. Porque vivo uma relação nem sempre conciliada com o tempo. O tempo, por vezes tão turbulento, o tempo de espera, por vezes tão longo. O tempo que nos quer reconciliar com os lados de dentro e de fora de nós mesmos. Estranho um aprendiz de historiador que tem uma relação tão difícil com o tempo... Ou seria estranho se eu tivesse uma relação mais pacífica?
Provavelmente esse texto só fará sentido para mim mesmo. Reflete uma transição de ano que é muito minha. Reflete a maneira como duas músicas me afetam de um jeito que é só meu. Reflete uma relação não-reconciliada com o tempo que é apenas minha. Reflete, mais do que nunca, que ainda não perdi a esperança de que esse tempo de espera me mostre que faz sentido, que é importante esperar.
2016, mais do que qualquer um, é um ano que começa com minha valorização do tempo de espera. Do tempo que busca uma reconciliação. O tempo de um jovem que enxerga, ao mesmo tempo, alguns, ainda que poucos, fios branco no cabelo, e que sente que guarda dentro de si uma criança interior. O tempo de quem precisou viver de janeiro a janeiro para perceber um outro nascente. De quem olhou bem dentro dos próprios olhos, e arriscou um sorriso de quem torce para que o universo conspire a favor.
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