quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Desenredo

Existe um lugar perdido dentro de nós que é despertado de vez em quando. E aí vemos que sobre ele não sabemos escrever de maneira tão eloquente. Parece uma saudade estranha de tudo que ainda não vimos ou vivemos. Hoje, fui tomado por essa saudade repentina. Um poema escrito à mão, uma lembrança, um sentimento genuíno que tenho alimentado, uma música. Tudo isso, aparentemente diferente e dispersivo, tudo junto. Hoje, pouco vou saber escrever sobre qualquer coisa. Talvez amanhã a inspiração de final de ano fale por mim. Mas hoje, sou apenas fragmentos. Sou apenas uma canção que toca distante, e parece desenredar a vida.


Desenredo

Por toda terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fioDe vida feita ao avesso.
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego
Eu me enredo
Nas tramas do teu desejo.

O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo.

O olhar que assusta
Anda morto
O olhar que avisa
Anda aceso.

Mas quando eu chego
Eu me perco 
Nas tramas do teu segredo.

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe.

A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo.

O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego
Eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo.

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir 
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe.

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