1. Ted Mosby
"Talvez não existam sinais. Talvez um colar é apenas um colar, e um puff é apenas um puff, talvez a gente não precise dar sentido a tudo. Talvez a gente não precisa que o universo nos diga o que queremos, talvez já saibamos, bem lá no fundo." Espécie de estereótipo inverso do macho alfa, Ted Mosby, protagonista da série How I Met Your Mother, é um homem que, diferente de um de seus melhores amigos, Barney, não procura um relacionamento casual, e sim a mulher da sua vida, a mãe dos seus filhos. Reiteradas vezes, ao longo da série, o romantismo incurável de Ted o faz apaixonar-se perdidamente por diversas mulheres, imaginando ser aquela a mulher com quem viveria até o fim de seus dias. Por seu perfil, de não conseguir adaptar-se à lógica do mundo selvagem da conquista, Ted termina por cometer os erros mais grosseiros nos relacionamentos, sendo o pior deles declarar amor no primeiro encontro. Justamente por escapar aos modelos, Ted é um personagem que me é inspirador: é um dos últimos românticos, capaz de colocar em risco os próprios sentimentos em nome de uma atitude inspirada pelo coração.
2. Will Schuester
Assim como muitos personagens dessa lista, Will Schuester, professor de Espanhol - e, posteriormente, de História - do colégio William McKinley, é um daqueles que me inspiraram na vida como educador. Um dos personagens principais da série musical Glee, Will mobiliza-se, muitas vezes na contramão da escola e até mesmo da vida conjugal, para realizar o sonho dos jovens que reúne no clube do coral da escola, autonomeado Novas Direções. Encantador em seu carinho e proximidade dos alunos, o Sr. Schue é um daqueles professores da ficção que me inspiraram no cotidiano docente na vida real: não basta ensinar, é preciso fazer da sala de aula um lugar de construção de afetos.
3. Remo Lupin
Assim como Schuester, Lupin é um dos muitos professores dessa lista. Em 2002, ao ler pela primeira vez Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, me deparei com, até aquele momento - e ao longo de todo o resto da série - o melhor de todos os professores de Defesa Contra as Artes das Trevas que Harry já havia tido. Não apenas pela competência como docente, mas pela sensibilidade em lidar com as diferentes situações, e por se tornar em um dos protetores de Harry. De cabelos cor de palha, roupas surradas e uma expressão cansada, apesar da juventude, tal como descreve J. K. Rowling, Lupin guarda consigo um grande segredo, que não o impede de manter a doçura e a capacidade de inspirar os alunos de Hogwarts.
4. Michael D'Angelo
"Quanto tempo nós temos? Não muito." Escola da Vida é um dos filmes que assisti justamente quando iniciava minha vida como professor. O ano era 2009, eu tinha 19 anos e iria entrar pela primeira vez em uma sala de aula. Conhecer Michael D'Angelo, o jovem professor de História que, rapidamente, é tomado pelos alunos e alunas como o querido Sr. D, me reafirmou o professor que eu desejava ser. Também possuidor de um segredo sobre sua própria vida, o Sr. D também me ensinou que é preciso bem mais do que conhecimento para transformar a sala de aula num lugar onde aprendizado e afeto caminhassem juntos.
5. Doug Funny
Doug, de todos dessa lista, foi o primeiro personagem que conheci, e, certamente, um dos primeiros com quem me identifiquei. Diferente da maioria dos garotos de sua idade, o protagonista da animação Doug era um menino introspectivo, que dividia suas angústias de pré-adolescente com o melhor amigo, Skeeter, o cachorro, Costelinha, e, principalmente, com seu diário, que era o ponto de partida de cada episódio da série. Tais angústias tinham, quase sempre, a amada Patty Maionese, amor platônico de Doug, como centro. Provavelmente, minha identificação com Doug surgiu pela recorrência de amores platônicos, aliada à timidez, típica do personagem, marca central de minha infância e adolescência.
6. Eduardo Feitosa
De todos os professores descritos nesse post, Eduardo Feitosa, o Edu, personagem central da novela Coração de Estudante, foi o primeiro a me inspirar. A primeira aula de Edu na fictícia Universidade Estadual de Nova Aliança, no interior de Minas Gerais, me encantou com a possibilidade de encarar uma sala de aula. Além disso, Edu representou para mim um exemplo de paternidade, ao criar sozinho o filho Lipe, com quem mantinha uma relação de enorme afeto ao longo de toda a novela.
7. Bento de Jesus
O segundo personagem da teledramaturgia brasileira presente nessa lista tratou-se de uma identificação recente. Acompanhei de perto os preparativos para a estreia da novela Sangue Bom, e, desde o início, vi no protagonista Bento uma inspiração. Honesto, íntegro, leal consigo mesmo e com os outros, o personagem era capaz de acolher as pessoas mais diferentes, em seus defeitos e imperfeições, o que o reaproxima de Amora, amiga e amor do passado. Ao longo de toda a novela, tive a oportunidade de ver Bento e pensar nele como o cara que eu gostaria de ser quando crescesse, na medida em que mantinha inabalável sua fé nas pessoas.
8. John Keating
O protagonista do filme Sociedade dos Poetas Mortos é uma das minhas inspirações, que conheci assim que entrei na universidade. Professor de Literatura de um tradicional internato para garotos, John Keating ensinava aos seus alunos que, para além das regras da poesia, haviam os sentimentos, tão mais importantes. Toda a história do filme gira em torno das lições de vida de Keating a seus alunos, ao incentivo que daria para que cada um deles vivesse plenamente seus sonhos. Suas aulas, marcadas pela expressão "Oh, capitain, my capitan", do escritor norte-americano Walt Whitman, transcendiam o espaço da sala de aula, na medida em que se transformavam em ensinamentos para a vida.
9. Quasímodo
Nascido com feições deformadas, mas dono de uma imensa sensibilidade, o romântico Quasímodo, personagem-título da animação O Corcunda de Notre-Dame, baseada no livro homônimo de Victor Hugo, me inspirou justamente pelo romantismo platônico alimentado pela cigana Esmeralda. Na história, a visão muito particular de Quasímodo sobre o mundo o fazia tanto conversar com as gárgulas, suas companheiras de confinamento no campanário da famosa catedral parisiense, quanto construir uma maquete em madeira da praça central e das proximidades.
10. Nino Quincampoix
O último, mas não menos importante, personagem da ficção que me inspiraria para a vida seria Nino Quincampoix. Funcionário tanto de um trem do terror em um parque de diversões quanto de uma mistura de sex shop com loja de filmes pornôs, Nino é o oposto daquele espaço, e, tal como descreve uma de suas colegas de trabalho, é um desterritorializado em "tempos difíceis para os sonhadores". Ao longo da história do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Nino se transforma na alma gêmea da personagem-título, vivendo aquela que, na minha opinião, é uma das mais belas cenas românticas já feitas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário